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Dividendos

IRIM11 paga menor dividendo da história e cota encosta na mínima histórica

Queda no IPCA, prejuízo com venda de FIIs e decisões de gestão pressionam rendimento e reacendem debate sobre estratégia do fundo

Redação RadarFII Publicado em 23/02/2026

O relatório gerencial de janeiro do IRIM11 trouxe um dado que chamou a atenção do mercado: distribuição de R$ 0,69 por cota, o menor rendimento do fundo no último ano e também o menor desde o seu início.

O resultado veio abaixo da expectativa de parte dos investidores, especialmente porque o fundo historicamente vinha pagando valores entre R$ 0,72 e R$ 0,90 por cota ao longo de 2024.

A reação foi imediata: a cota recuou para R$ 64,28, muito próxima da mínima histórica de R$ 64,22, acumulando:

  • -7,34% no último mês
  • -17,77% em 6 meses
  • -13,47% em 12 meses

Em fevereiro de 2025, o fundo era negociado a R$ 74,22 — cerca de R$ 10 acima do preço atual.

O que explica o rendimento menor do IRIM11?

Segundo o relatório, dois fatores principais impactaram o resultado.

IPCA mais baixo nos meses anteriores

O fundo possui forte exposição a CRIs indexados ao IPCA. Com inflação mais fraca em outubro (0,09%) e novembro (0,18%), houve impacto negativo na correção monetária dos ativos.

Em dezembro e janeiro o IPCA melhorou (0,30%), o que pode favorecer resultados futuros, mas o efeito ainda não foi suficiente para compensar as perdas recentes.

Prejuízo com venda de fundos imobiliários

A gestão realizou reciclagem da carteira de FIIs, vendendo cerca de 0,44% do patrimônio líquido, equivalente a aproximadamente R$ 3 milhões.

O problema é que essas vendas ocorreram com prejuízo, gerando impacto negativo estimado de R$ 0,03 por cota.

Além disso, o fundo participou como âncora em emissões de outros FIIs, como:

Como a integralização ocorreu no meio do período, os rendimentos recebidos foram proporcionais, reduzindo cerca de R$ 0,02 por cota no resultado.

Somando os efeitos, aproximadamente R$ 0,05 por cota deixaram de ser distribuídos por decisões de gestão.

DRE mostra novo prejuízo em negociação

O demonstrativo de resultado revela prejuízo superior a R$ 1 milhão em negociação de FIIs pelo segundo mês consecutivo, resultado total de aproximadamente R$ 24,6 milhões e distribuição de R$ 24,3 milhões, com reforço de reserva.

Apesar de o fundo não ter distribuído tudo o que gerou, a pressão vem principalmente das perdas na parcela investida em FIIs.

Estrutura atual da carteira
ClasseParticipação
CRIs78,3%
Fundos Imobiliários19,5%
Caixa3%

O fundo possui 157 CRIs diferentes, mostrando boa diversificação.

Cerca de 68,8% dos CRIs são indexados ao IPCA mais taxa média de 10,08%, com exposição relevante a setores como shopping, residencial, loteamento, logística e geração distribuída, que representa 18,97%.

A exposição geográfica concentra-se no Sudeste, com 51,6%.

CRIs problemáticos preocupam

Alguns ativos seguem sob monitoramento, como CRI Riz (0,38% do patrimônio líquido), CRI Bwick (2,03%) e Crittermas Resort (1,15%). Há negociações de alongamento de prazo e recomposição de garantias, o que adiciona risco ao portfólio.

Desempenho histórico e rentabilidade

Apesar da queda recente, o fundo apresentou retorno de 2,36% no último mês e 28,8% nos últimos 12 meses. Desde o início, o desempenho ficou abaixo do CDI e do IMAB.

O dividend yield atual gira em torno de 1,06% ao mês, ou aproximadamente 14,9% em 12 meses, muito influenciado pela queda da cota. Ainda assim, o mercado parece mais atento à trajetória do rendimento do que ao yield nominal.

Fundos imobiliários na carteira: ainda há resíduos

Entre as posições em FIIs, aparecem ativos como BTLG11, HCTR11 e DEVA11. Parte dessas posições foi reduzida, mas ainda existem pequenas exposições consideradas de maior risco.

Alavancagem

A alavancagem corresponde a 2,1% do patrimônio líquido, com custo de CDI mais 0,42%. Com a Selic elevada, o custo de capital encarece, embora esteja abaixo de alguns pares do mercado.

IRIM11: desalinhamento com o cotista?

O debate central gira em torno da estratégia da gestão, envolvendo vendas com prejuízo em alguns FIIs maiores, participação em ofertas quando o mercado oferecia preços similares ou inferiores e impacto direto no dividendo distribuído.

A cota está na mínima histórica e o dividendo no menor patamar desde o início. Ao mesmo tempo, o fundo mantém patrimônio robusto de aproximadamente R$ 2,95 bilhões.

O mercado agora questiona se a gestão conseguirá recuperar a confiança e estabilizar os rendimentos nos próximos meses. Com o IPCA voltando a acelerar, a carteira indexada pode ajudar, mas a execução na parcela de FIIs será determinante para o futuro do IRIM11.