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SNAG11 bate recorde de 136,7 mil cotistas e mantém rendimento de R$ 0,12 por cota

Fiagro amplia exposição à irrigação e armazenagem, mas concentração no CRA Boa Safra e forte indexação ao CDI seguem no radar dos investidores

Redação RadarFII Publicado em 12/08/2026

O SNAG11 encerrou junho de 2026 com 136.743 cotistas, a maior base de investidores de sua história. O avanço veio acompanhado da manutenção do rendimento de R$ 0,12 por cota e de um patrimônio líquido de R$ 910,56 milhões.

Os números constam no relatório gerencial de junho do SNAG11, divulgado pela Suno Asset. O documento também informa que o fundo terminou o mês com 13 ativos, 264 devedores e inadimplência de 0% na carteira.

O recorde de cotistas aumenta a visibilidade do Fiagro e pode favorecer a liquidez das cotas na Bolsa. Para o investidor, porém, crescimento da base não significa, isoladamente, melhora na qualidade dos ativos nem garantia de rendimentos futuros. O ponto central continua sendo a capacidade da carteira de gerar caixa e controlar o risco de crédito.

SNAG11 teve resultado acima do rendimento distribuído

Em junho, o SNAG11 apurou resultado líquido de R$ 16,44 milhões, equivalente a R$ 0,184 por cota. A distribuição foi de R$ 10,73 milhões, ou R$ 0,12 por cota.

Como o resultado mensal superou o valor distribuído, cerca de R$ 5,71 milhões foram incorporados à reserva. O saldo após a distribuição chegou a R$ 0,094 por cota, segundo a gestora.

Essa diferença cria uma margem para a administração dos rendimentos, mas não deve ser interpretada como promessa de manutenção do pagamento. Reservas podem ajudar a suavizar oscilações, porém são finitas e dependem da geração futura de receitas.

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O dividend yield anualizado informado foi de 15,31%, calculado sobre a cota de mercado de R$ 10,05 no fechamento do mês. Esse percentual é apenas uma fotografia: pressupõe a repetição do rendimento mensal e não representa projeção garantida para os próximos 12 meses.

Indicador do SNAG11Posição em junho de 2026Por que importa
Número de cotistas136.743Indica expansão da base e maior presença no mercado
Patrimônio líquidoR$ 910,56 milhõesMostra a escala financeira do fundo
Resultado por cotaR$ 0,184Ficou acima do rendimento distribuído no mês
Rendimento por cotaR$ 0,12Valor distribuído referente ao resultado de junho
Reserva após distribuiçãoR$ 0,094 por cotaPode ajudar na gestão dos pagamentos, sem garanti-los
Inadimplência reportada0%Retrato da carteira no fechamento do mês, não garantia futura
CaixaR$ 65,98 milhõesRepresentava 7,25% do patrimônio líquido
Armazenagem e irrigação ganham espaço na carteira

Uma das principais mudanças na tese do SNAG11 é o avanço em infraestrutura agrícola. No fechamento de junho, 22,1% do patrimônio estava ligado à irrigação e 6,4% à armazenagem.

A fatia de armazenagem correspondia à posição no PLAG11. Considerando o patrimônio líquido do SNAG11 no período, essa exposição equivalia a aproximadamente R$ 58 milhões.

A estratégia procura capturar uma deficiência estrutural do agronegócio brasileiro. A Conab estimou a safra 2025/26 em 360,1 milhões de toneladas, enquanto a companhia registrava capacidade estática aproximada de 217,3 milhões de toneladas ao fim de 2025.

A comparação ajuda a dimensionar o desafio logístico, mas exige cautela. A diferença entre produção anual e capacidade estática não corresponde automaticamente a um déficit operacional na mesma proporção, porque os armazéns podem receber mais de um ciclo de produtos ao longo do ano.

Ainda assim, a distância entre o crescimento da produção e a expansão da armazenagem pressiona fretes, aumenta o risco de perdas e reduz a flexibilidade do produtor para escolher o momento da venda.

Carteira continua concentrada em ativos indexados ao CDI

O SNAG11 encerrou junho com 54,7% do patrimônio em Certificados de Recebíveis do Agronegócio, os CRAs, e 31,9% em cotas de outros Fiagros e fundos imobiliários. Imóveis representavam 6% da carteira, enquanto o caixa correspondia a 7,2%.

Do total, 94% estava indexado ao CDI e 6% ao IPCA. A remuneração média informada pela gestão era de CDI mais 2,55% ao ano, com prazo médio, ou duration, de 4,84 anos.

Essa composição mantém a receita bastante ligada aos juros de curto prazo. Caso o CDI recue, o rendimento dos ativos pós-fixados tende a diminuir gradualmente, embora o efeito final dependa dos spreads contratados, de novas alocações, das reservas e da evolução do restante da carteira.

Outro ponto de atenção é a concentração. O CRA Boa Safra representava 34,03% do patrimônio líquido. A operação é pulverizada entre diferentes devedores, mas o peso da estrutura dentro do fundo continua relevante e deve ser acompanhado nos relatórios seguintes.

Recorde de cotistas não elimina os riscos do Fiagro

A inadimplência de 0% informada pela gestão é um dado favorável do fechamento de junho, mas não significa ausência de risco. Fiagros de crédito estão sujeitos à capacidade de pagamento dos devedores, à qualidade das garantias, aos preços das commodities, ao clima, aos custos de produção e à liquidez dos ativos.

Também existe risco de mercado. Mesmo que os pagamentos da carteira ocorram normalmente, a cota do SNAG11 pode oscilar na B3 por mudanças nas taxas de juros, na percepção de risco do agronegócio ou na oferta e demanda pelo fundo.

No fim de junho, a cota patrimonial era de R$ 10,18 e a cota de mercado fechou em R$ 10,05, relação equivalente a um P/VP de 0,99. O indicador mostra que o fundo negociava próximo ao valor patrimonial naquele momento, mas não define sozinho se a cota estava barata ou cara.

O que observar agora
  • Principal ponto de atenção: a alocação dos R$ 65,98 milhões que estavam em caixa e a evolução dos investimentos em irrigação e armazenagem, áreas que já somavam parcela relevante do patrimônio.
  • Risco ou limitação: a carteira permanece exposta ao crédito do agronegócio e tem forte indexação ao CDI. Queda dos juros, problemas com devedores ou deterioração das garantias podem afetar resultados e rendimentos.
  • Próximo dado importante: o próximo anúncio de rendimentos e o relatório gerencial de julho, que deverão mostrar a evolução da reserva, da inadimplência, da alocação do caixa e da base de cotistas.

O SNAG11 chega ao novo recorde com escala maior, resultado mensal superior ao valor distribuído e exposição crescente à infraestrutura do campo. Para o cotista, a leitura mais útil não está apenas no número de investidores ou no rendimento mais recente, mas na continuidade da geração de caixa, na qualidade do crédito e na forma como a gestão aplicará os recursos ainda disponíveis.