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VGIA11 entra em leilão na B3: cota despenca mais de 20% abaixo do valor patrimonial

Inadimplência da Cooperativa Languiru provoca forte onda de vendas e coloca R$ 126,80 milhões em risco para o Fiagro

Redação RadarFII Publicado em 29/07/2026

O VGIA11, um dos maiores Fiagros de crédito negociados na B3, passou por dias de intensa volatilidade depois que a Cooperativa Languiru deixou de pagar uma parcela de juros dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio, os CRAs, com vencimento em 7 de julho de 2026.

A inadimplência reacendeu dúvidas sobre a recuperação dos recursos aplicados pelo fundo e provocou uma forte onda de vendas. No dia 21 de julho, as cotas chegaram a entrar em leilão na B3 após recuarem mais de 10% durante o pregão. Naquele momento, o preço chegou à região de R$ 7,98, aproximadamente 16% abaixo da cota patrimonial de R$ 9,50.

Nos pregões seguintes, a diferença entre o preço de mercado e o valor patrimonial chegou a superar 20%, enquanto investidores tentavam calcular o tamanho real do prejuízo que poderá atingir o fundo.

Exposição à Languiru representa 12,34% do patrimônio

O VGIA11 possui três operações ligadas à Languiru. Juntas, elas representam aproximadamente R$ 126,80 milhões, equivalentes a 12,34% do patrimônio líquido do Fiagro.

Trata-se de uma exposição relevante, mas não corresponde à totalidade da carteira. O relatório gerencial referente a junho mostra que o fundo tinha R$ 875 milhões aplicados em 42 ativos de crédito, representando 85,20% do patrimônio. Os outros 14,80% estavam alocados em instrumentos de caixa.

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IndicadorDados do VGIA11
Exposição à LanguiruR$ 126,80 milhões
Participação no patrimônio12,34%
Ativos na carteira42
Patrimônio alocado em créditoR$ 875 milhões
Recursos em caixa14,80% do patrimônio
Último rendimento informadoR$ 0,13 por cota
Número de cotistasAproximadamente 174,20 mil

A queda acumulada das cotas teria superado, em determinados momentos, a própria participação da Languiru no patrimônio, alimentando a interpretação de que o mercado poderia ter exagerado na precificação do risco.

Garantias dos CRAs serão decisivas para o VGIA11

A Valora, gestora do VGIA11, informou que busca recuperar a dívida por meio das garantias constituídas nas operações. Entre as proteções mencionadas estão alienação fiduciária de máquinas e equipamentos, penhor de grãos, hipotecas de imóveis, avais e cessão fiduciária de recebíveis.

A maior preocupação envolve os recebíveis relacionados a contratos da Languiru com empresas consideradas de primeira linha, incluindo a JBS.

Informações divulgadas no mercado indicam que existe uma discussão jurídica sobre a validade ou a execução de parte dessas garantias. A Valora contesta os questionamentos e sustenta que as estruturas foram regularmente constituídas com apoio de assessores jurídicos. Até o momento, porém, não há decisão definitiva que elimine as incertezas.

Mesmo que o crédito possa ser recuperado, o processo poderá levar tempo e envolver despesas jurídicas, renegociações e venda de ativos dados em garantia.

Dividendos do VGIA11 podem cair?

O fundo distribuiu R$ 0,13 por cota no pagamento referente ao último período informado, mantendo uma rentabilidade líquida equivalente a CDI mais 3% ao ano sobre a cota patrimonial.

Isso não significa que os próximos dividendos estejam garantidos. Caso os juros da Languiru deixem de entrar no resultado por um período prolongado, a distribuição mensal poderá ser reduzida.

Em um episódio anterior envolvendo a mesma cooperativa, o VGIA11 chegou a pagar aproximadamente R$ 0,09 por cota no mês mais afetado, enquanto outros pagamentos ficaram entre R$ 0,10 e R$ 0,11. Esse histórico é usado por alguns investidores para defender que o restante da carteira poderá continuar gerando rendimentos, ainda que em um nível inferior.

No entanto, o desempenho passado não garante que o impacto atual será semelhante.

Queda representa oportunidade ou risco elevado?

O desconto do VGIA11 pode criar uma margem de segurança caso a gestora consiga executar as garantias e recuperar uma parcela relevante dos R$ 126,80 milhões. Nesse cenário, parte da queda poderia ser revertida.

Por outro lado, comprar apenas porque a cota caiu envolve riscos. A recuperação poderá ser parcial, demorada ou inferior ao valor registrado na carteira. Também existe a possibilidade de redução dos dividendos e de novas oscilações enquanto a disputa jurídica permanecer aberta.

O ponto central é que o VGIA11 deixou de ser apenas uma tese de renda mensal e passou a depender diretamente de um processo de recuperação de crédito. O desconto pode ser expressivo, mas reflete uma incerteza concreta.

Antes de investir, o cotista deve avaliar o peso do fundo em sua carteira, sua tolerância à volatilidade e a capacidade de aguardar uma solução que poderá levar meses ou até anos.